sexta-feira, 31 de julho de 2015

     APEOralidade com Povo que ainda Canta 


           No dia grande na Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 

     O imaginário de Tiago Pereira seduziu-se um dia pelas Nagragadas da APEOralidadeAté conseguiu que a Almerinda e Leonor marcassem presença, assim tão longe e num espaço tão amplo e original como a do Esporão. E o público pôde dialogar desvendando o segredo que preside a arte dos trava-línguas que vêm de muito longe no tempo, trazendo consigo a arte e o jeito, o encanto e o atrevimento do imaginário dos pais dos nossos pais e que bem merece animar, ainda, os filhos dos nossos filhos.

      A sensibilidade do Tiago constitui para estas mulheres um estímulo e, não menos, para esta Associação. A comunidade bem precisa de homens com o dedo artístico do Tiago Pereira que levem à projecção daquilo que no mundo de música e das letras, na poesia e no canto, o que é dizer, na ordem do belo vive no coração e na mente de alguns a quem muito urge escutar: estes são nosso povo e são também o melhor que ainda temos. Num tempo em que só se fala de economia e de dinheiro - e justamente aquilo que não nos é dado - detemo-nos na preservação do belo que nos caracteriza e que muito urge fixar e proteger para os filhos que hão de nascer. 


      Não é sem razão que adverte o bom Papa Francisco: descartam-se as crianças que se isolam em contentores; descartam-se os idosos que se isolam, estagnando noutros contentores; amarram-se os pais o tempo todo em serviços mal remunerados, separando-os mesmo ao domingo, e a relação com as crianças é só na hora do deitar. E Francisco com razão acrescenta: assim não passam os afetos vitais e não passa, de geração para geração, a cultura. 





sexta-feira, 24 de julho de 2015

A APEOralidade e a colaboração com Teia d' Impulsos, Portimão










   E como suprir a ausência inesperada de 3 intérpretes - Almerinda, M. Jesus e Dulcelina -, num encontro com Teia d' Impulsos, que muito estimamos porque privilegia a fina cultura de raiz comunitária, preservada na oralidade e felizmente acolhida pela APEOralidade?    




sexta-feira, 3 de julho de 2015

Festival de Oralidade do Algarve, 3 de Julho de 2015

No Festival de Oralidade do Algarve (FOrA), Portimão/ Alvor 2015


O Executivo da Teia e, em particular, a sensibilidade e a dinâmica da Coordenadora Dra. Carla Vieira, de novo solicitaram a presença da APEOralidade com Moças Nagragadas: e o público, esclarecido e sensível à riqueza singular da tradição oral, que felizmente vive na mente e no coração de alguns, não deixou de reclamar mais uma cantiga a concluir. 

E as crianças de Portimão dos 4 aos 10 anos puderam escutar, mais uma vez, as lengalengas os trava-línguas, as adivinhas e as quadras de no sense, memória de Boliqueime e Paderne em visão contrastiva. 
  





terça-feira, 24 de março de 2015

As Linquintinas Tradicionais em livro aberto pela APEOralidade, na Biblioteca Sophia de Mello Breyner Andersen


           A Biblioteca Sophia de Mello Breyner Andresen, templo de cultura, abriu-se, na noite de 19 de março de 2015, às 21 horas, como palco do Património Imaterial, através das Linquintinas, na apresentação do livro Estão Vivas as Linquintinas Tradicionais em Portugal. 



     Abriram a sessão as Nagragadas, com três cantares  da sua graça. No decorrer da sessão,  a intervenção da Almerinda (Paderne) e da Leonor (Boliqueime) deixou bem em evidência a proximidade e a diferença da criatividade estético-linguística do imaginário das duas comunidades. Laura Brás declamou duas lengalengas. 



        
  



     Presidiu à mesa a Prof.ª Doutora Alexandra, Diretora de Cultura Regional: numa reflexão sobre as Lengalengas e os Trava-línguas, salientou a noção e a importância destes enunciados na prática pedagógica, e daí o seu apoio na ação de pesquisa da oralidade regional. 






    O Professor P. Ferré e Vice-reitor da UAlg concentrou toda a atenção dos presentes, numa comunicação muito simples, fluente e próxima, como é de seu estilo, ao mesmo tempo que inovadora e profunda. Não lhe escapou relevar a ligação das Linquintinas, que hoje vivem na mente e no coração de alguns, com a prática que vem da I.M. e do séc. XVI em Gil Vicente.

    
         O Presidente da Câmara de Loulé, Dr. Victor Aleixo, posicionando-se discretamente ao fundo da sala, ali atento e bem disposto, como não podia deixar de ser por natureza da própria temática e logo ao lado de Carlos Albino, viria a encerrar o evento com palavras de reconhecimento e muito estímulo. Aí, Carlos Albino interveio a enaltecer, com palavras de claro apoio ao trabalho desenvolvido pelo autor e pela Associação no domínio da oralidade: e ao testemunho do elevado talento não podia faltar o bom humor, que sempre o caracteriza, a animar a casa cheia. 
       
          O autor e Presidente da Direção, rompendo as regras correntes, começou por agradecer à assistência.  E, logo, aos Municípios de Loulé e Albufeira, nos quais a oraldidade sempre encontrou apoio. Agradeceu à DRCAlg, na pessoa de Alexandra Gonçalves, e a P.  Ferré.   

    J. Ruivinho Brazão, visivelmente satisfeito com o decorrer do evento, salientou a presença de Dra. Dália Paulo, Delegada Emérita da DRCAlg, sempre sensível à cultura da oraldiade. E mencionou, entre outros, o Presidente da Assembleia, Dr. João Carlos Correia, e a Direção da APEOralidade.     

       Rita Moreira conduziu as intervenções com a sapiência que o público bem conhece. Guida Jordão, que se esmerou na preparação do evento, acompanhou-nos interessadamente atenta: nem faltou um marcador com duas lengalengas, Dona Ana (Albufeira) e Dona Anica (Loulé).                                                                 





     Um pormenor do grupo Nagragadas 
 Esmeralda Brazão, Maria de Jesus Coelho Aço e sua irmã, Dulcelina (da esquerda para a direita).

sexta-feira, 20 de março de 2015

Apresentação de Livro na Câmara Municipal de Loulé


A Biblioteca de Loulé com a habitual dignidade a singeleza e a originalidade de um evento que se centra na fina cultura de raiz guardada no coração e na mente do povo que é o melhor que ainda possuimos. O Município de Loulé está sempre atento a estas realidades que têm que ver com a nossa entidade profunda. 

terça-feira, 17 de março de 2015

APRESENTAÇÃO DE LIVRO - BIBLIOTECA MUNICIPAL DE LOULÉ


      Há momentos em que experimentamos, de modo particular, o que significa a presença solidária de quem é sensível aos valores profundos da comunidade que nos deu origem: tal é o que acontece no dia 19 de março, quinta-feira, 21 horas, na Biblioteca Municipal de Loulé, momento em que se lhe propõe, com a apresentação do livro Estão Vivas as Linquintinas Tradicionais em Portugal – Palavra Prazer e Jogo na Boca do Povo, um mostruário breve da fina cultura de nossa raiz comunitária, que a APEOralidade, felizmente, vem arrecadando, refletindo e divulgando em visão contrastiva na oralidade tradicional de Albufeira e Loulé.
        A APEOralidade convida para um momento que é de prever resulte rico pelos ludismos em que assenta e, não menos, pela proximidade e  pela originalidade de leitura de P. Ferré, Vice-Reitor da UAlg: nem faltam, na saudação inicial, as Nagragadas com o perfume da sua graça.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

CONVITE da APEOralidade PARA APRESENTAÇÃO DE LIVRO


Vai decorrer na Biblioteca Lídia Jorge, no dia 04 de dezembro de 2014, quinta-feira, pelas 17H, a apresentação do livro Estão Vivas as Linquintinas Tradicionais em Portugal – Palavra, prazer e jogo na boca do nosso povo, Edição da APEOralidade, Albufeira, que tem por autor o Professor Investigador da Oralidade J. Ruivinho Brazão.

A obra enquadra-se na ação de pesquisa do Património Imaterial que tem sido levada a efeito pela APEOralidade na Região do Algarve. Com 224 páginas, contém mais de 1100 lengalengas e trava-línguas: aos dados recolhidos em Paderne (partes I e II) juntam-se, não sem alguma visão contrastiva, enunciados de outras comunidades, como as de Albufeira e Loulé (Parte III).



A ilustração do livro teve a orientação da Professora Doutora Joana Lessa no âmbito da Unidade Curricular “Design de Comunicação III”: resulta da colaboração do Curso de Design de Comunicação da Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve com a APEOralidade, iniciativa a que se associou a FNAC Algarve que premiou o aluno em destaque na ilustração da obra.

Participam no evento as Professoras Doutoras Alexandra Gonçalves da Direção de Cultura do Algarve e a Joana Lessa. Ilustram o evento Nagragadas de Paderne e Boliqueime.

A apresentação da obra cabe ao Professor Doutor Père Ferré, Vice-Reitor da UAlg. 


A Direção da APEOralidade convida a participar no evento. 
E agradece que confirme a sua presença. 





segunda-feira, 22 de setembro de 2014

FELIZES ACASOS

INFORMAÇÃO BREVE SOBRE A APEORALIDADE E MOÇAS NAGRAGADAS

Desci de Lisboa, em 1994, no desejo de apurar em que medida sobreviviam os provérbios que encontrara estreitamente aliados à nossa poesia nascente dos m. do séc. XIII. Constituída uma equipa de investigação – Dulcelina Coelho, Solange Castro e Brito, Isabel Lima –, fixamo-nos nos dois microcampos de Boliqueime e Paderne, ponto de partida para a pesquisa e estudo da oralidade em visão contrastiva.

Ali tão perto das minhas origens, surpreendiam-me a multiforme riqueza e diversidade dos enunciados que subsistiam na oralidade do barrocal da região do Algarve: lengalengas e travalínguas, adivinhas e despiques, quadras, cantares, romances..., entrelaçavam-se-me espontâneos nos provérbios, ultrapassando toda a expetativa: e aparece, em 2002, a APEOralidade a consolidar o trabalho de investigação com publicações bibliográficas e fonográficas e a promover a sensibilização e divulgação do Património Imaterial, felizmente preservado na oralidade da comunidade regional.

De repente, eis que trocara a pedagogia de aula pela pedagogia de campo. Algumas entre as melhores informantes, como a Almerinda e a Donzelica e a Leonor, deixam-se envolver, ao meu lado, dinâmicas e eficazes no trabalho de pesquisa e, por vontade própria, aceitam constituir-se em grupo de cantares: chamei-lhes Moças Nagragadas. Envergando livre trajo domingueiro e, por amável concessão da sociedade dos anos 30 (séc. XX), a saia um palmo acima dos tornozelos, integram-se desde 2003 na APEOralidade: de muito longe, do país e do estrangeiro procuradas, elas aí estão. Coordenadas por Nelson Conceição, constituem estímulo e credibilidade no esforço do investigador.

A este feliz acaso das minhas Nagragadas um outro sobreveio: o da envolvência na divulgação dos dados, na sensibilização da comunidade, na Pedagogia da Oralidade: em 2012, mercê de protocolo coma DREAlg, numa ação que envolve as Nagragadas, o Património Imaterial, recolhido na oralidade dos Concelhos de Albufeira e Loulé chega às bibliotecas escolares de toda a Região do Algarve e confirma-se a escola como destino primeiro e natural da fina cultura da nossa raiz comunitária, que ainda persiste no coração e na mente de alguns a quem muito urge ouvir.

J. RUIVINHO BRAZÃO 




  email: apeoralidade@gmail.com; Telemóvel: 961040483; Telefone: 289542992  

sábado, 6 de setembro de 2014

APEOralidade - Festas do Pescador



As filhós da avó e o café tradicional fizeram a delícia do público, nas Festas do Pescador (5, 6 e 7 de setembro, 2014) onde as mãos da Ana Cristina e da Esmeralda Brazão, da Rosinha e da Elsa trabalharam sem parar. 



É o carinho da Vivi no atendimento do público. 



Pela taberninha das filhós, nem faltaram poetas, sensíveis ao Património Imaterial, como Nelson Moniz: e o público deliciou-se também com as lengalengas e os provérbios e os trava-línguas, recolhidos na comunidade de Paderne. 



Aqui, o poeta Manuel Ribeiro, aquele que, vindo de longe, passa e vê e recria coisas e rostos desta Albufeira. Com ele a escritora Rosa Maria e o seu marido, vindos de Coimbra. 

sábado, 17 de maio de 2014

Convite para apresentação do livro - Sonhos de Emigrante – À Janela da Vida


No dia 23 de Maio, sexta-feira, pelas 18 horas, vai decorrer, na Biblioteca Municipal António Ramos Rosa, Faro, a apresentação do livro Sonhos de Emigrante – À Janela da Vida, vol. II do espólio do poeta Clementino Domingos Baeta. Edição da APEOralidade, a obra traz a apresentação crítica do investigador da oralidade J. Ruivinho Brazão e é prefaciada por João David Pinto-Correia, José Victor Adragão, Maria Aliete Galhoz e António de Abreu Freire.

Clementino Baeta nasce em São Lourenço de Almancil (25 de Janeiro de 1913). Cresce num contexto de sensibilidade à música, à dança, ao canto, à poesia. Pela mão do pai e do avô, ambos com veia poética, aos 6 anos de idade, já escuta A. Aleixo, nas tertúlias da Bordeira (Santa Bárbara de Nexe). Aos 11 anos, já se atreve a aparecer com um poema que lhe merece o aplauso de Mestre Aleixo: e este, em sua fraca voz, vai depois procurar o pequeno adolescente como apoio para cantar, sobretudo nas feiras de Almancil e Loulé e antevê, com palavras proféticas, o futuro poético do discípulo. 

Trabalha na agricultura ao lado do pai e é limpador de árvores na Quinta do Lago. Envolve-se, muito ativo, nos palcos das sociedades recreativas da Região, onde se releva na poesia, no canto, no teatro, no fado. Quando aos 50 anos Aleixo se apaga, tem ele 28 anos de idade: são 22 anos de contacto não indiferentes para a sua sensibilidade poética.

Parte para Venezuela aos 34 anos (7. maio.1955) e vem a regressar aos 59 (9. Nov.1980): uma odisseia de 25 anos de ausência. E é então que o surpreende o investigador da oralidade. O poeta retoma o convívio com os amigos e reassume com alegria o seu lugar nas tertúlias poéticas: e o professor tem o privilégio de o acompanhar durante 8 anos. Aos 27.fev.1988, estando preparado para edição o vol. I, a morte surpreende-o, vindo gorar-lhe a expetativa que trazia de viver ainda os melhores dias da sua vida. O nosso aedo deixa um espólio que, no contexto da expressão popular, é digno de atenção.

A apresentação da obra cabe ao Dr. José Vítor Adragão e ao Professor Doutor João Minhoto da Universidade do Algarve.

Gostaríamos muito de poder contar com a sua presença.