quarta-feira, 2 de abril de 2014

Livro a adquirir na APEOralidade Lengalengas e Trava-línguas recolhidos em Paderne (Albufeira),


Livro a adquirir na APEOralidade 
Lengalengas e Trava-línguas recolhidos em Paderne (Albufeira),
envolvendo testemunhos de Loulé e outras comunidades




Estão Vivas as Linquintinas Tradicionais em Portugal
Palavra, prazer e jogo na boca do povo

Estão Vivas as Linquintinas Tradicionais em Portugal, com o subtítulo Palavra, prazer e jogo na boca do nosso povo, é a primeira de duas publicações de caráter lúdico anunciadas pela Associação de Pesquisa e Estudo da Oralidade, Albufeira: a segunda sairá com o título de Estão Vivas as Adivinhas Tradicionais em Portugal. Com 224 páginas, a publicação oferece-nos mais de 1100 lengalengas e trava-línguas, recolhidos em Paderne (Partes I e II) a que se acrescentam, em visão contrastiva, enunciados de outras comunidades (Parte III). A publicação enquadra-se na ação de pesquisa do Património Imaterial que, depois de em 1994 assentar nos dois micro-campos de Paderne e Boliqueime, veio a dar origem à APEOralidade.
Surpreende-nos na publicação, depois do Índice Geral, uma dedicatória a duas das “Moças Nagragadas”: Almerinda Coelho e Donzelica Rosendo, informantes que se evidenciaram na recolha das linquintinas. Segue-se um prefácio breve de Maria Isabel Mendonça Gomes, cuja dignidade o público bem conhece pelo destaque da docente, da formadora e da autora no domínio da Educação de Infância. Assinala, a seguir, a Professora Doutora Joana Lessa a intervenção da Universidade na ilustração da obra, que decorreu sob sua orientação no âmbito da Unidade Curricular “Design de Comunicação III”, conforme projeto de colaboração que envolveu o Curso de Design de Comunicação da Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve e a APEOralidade, iniciativa a que se associou a FNAC Algarve premiando o aluno em destaque na ilustração.
Na Introdução Crítica, p. 15 a 36, o autor e investigador da oralidade dá-nos conta de como, na procura dos provérbios, vieram inesperadas ao seu encontro as linquintinas. Aponta as estratégias que conduziram à recolha das mesmas. Adentro do género lúdico, onde inclui as adivinhas, empenha-se, particularmente, na análise da linquintina – enunciados que fluem espontâneos, graciosos e apetecíveis de ouvir e dizer, rápidos e transparentes como água que sai da fonte - e atreve-se à noção distintiva das duas espécies: lengalenga e trava-língua. Explicita e justifica os critérios de procedimento que tomou na ordenação do corpus da obra que dispõe em três partes: a primeira, constituída pelas lengalengas, distribuídas por oito vertentes; a segunda, constituída pelos trava-línguas; a terceira reúne testemunhos colhidos noutras comunidades, nomeadamente, Albufeira, Loulé e São Brás. Enumeram-se objetivos; explicitam-se critérios de transcrição gráfica; esclarecem-se as siglas e as abreviaturas utilizadas.

Notas esclarecedoras percorrem e acompanham, em todo o percurso, o corpus das linquintinas. Do gesto solidário, em que Cultura e Universidade se dão as mãos e esta desce ao terreno com  saberes especializados, resulta uma singular harmonia da sensibilidade artística pictórica e da criatividade do imaginário artístico linguístico: e esta ilustração constitui para o leitor o primeiro atrativo da publicação, cuja leitura a seguir o confirma. 

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